Parte dos brasileiros que caíram na malha fina vai receber uma carta da Receita Federal em outubro. É um aviso de que esses contribuintes cometeram pequenos erros e ainda podem regularizar, pela internet, a declaração do Imposto de Renda.

 

A Receita Federal tem quase 6 milhões de contribuintes caíram na malha fina.

 

Esses são alguns dos erros mais comuns:

  • não informar algum rendimento extra, pontual, que recebeu durante o ano;
  • não incluir rendimentos recebidos por dependentes;
  • informar o ano errado de uma despesa médica;
  • não informar todos os rendimentos da aposentadoria, quando há mais de uma fonte pagadora.

 

Na grande maioria dos casos, erros simples levaram contribuintes à malha fina. Mas, para resolver o problema, não é preciso buscar um posto da Receita Federal. Basta ter acesso a um computador ou a um telefone celular. Para saber se você caiu na malha fina, é só entrar no portal e-CAC ou usar o aplicativo da Receita Federal, disponível para celular ou tablet. Faça o login pela conta gov.br – é obrigatório que você seja usuário prata ou ouro, que são níveis mais altos de segurança, para verificar a identidade. Clique na opção “Meu Imposto de Renda” e preste atenção ao status. Se aparecer “com pendências”, clique para saber o problema encontrado pela Receita e faça a retificação.

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O dólar recua nesta segunda-feira (19), com os investidores atentos ao cenário eleitoral e à divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto, a uma semana do segundo turno das eleições, marcado para o próximo domingo (25). Às 15h11, a moeda americana caía 0,40%, cotada a R$ 5,052. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, subia 0,10%.
O Ibovespa abriu em alta, mas passou a cair no fim da manhã, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, acompanhando a queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Às 15h13, porém, o barril do Brent, referência global para a commodity, havia recuperado parte das perdas e subia 0,35%, cotado a US$ 110,29.
Na ponta positiva, parte das ações de bancos, que também têm peso relevante no índice, e de empresas do varejo subia, após as perdas da semana passada, quando o Senado aprovou a proposta de redução da jornada de trabalho. Os papéis da Vale também avançavam levemente, acompanhando a valorização do minério de ferro no exterior.
A nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 50,3% dos votos válidos na disputa pela Presidência da República, ante 49,7% do presidente Lula (PT). Os dois estão tecnicamente empatados.
A margem de erro é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, divulgada na última terça-feira (13), Flávio tinha 51,6% dos votos válidos, ante 48,4% de Lula. As oscilações ocorreram dentro da margem de erro, e a diferença numérica entre os candidatos caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual.
O primeiro debate entre os candidatos, realizado no domingo (18), teve pouco impacto sobre os mercados, segundo Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos. Para ele, o encontro foi marcado mais por ataques pessoais do que por propostas econômicas. “Quem mexe com preço agora são as pesquisas, não o debate”, afirma.
Na Faria Lima, o clima é de cautela, diz Trotta. Parte dos investidores já considera a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro, mas acompanha se o discurso de responsabilidade fiscal será mantido diante das promessas de campanha. Até o segundo turno, pesquisas eleitorais e sinais sobre a formação da equipe econômica devem continuar no radar do mercado.
Também nesta segunda, o boletim Focus mostrou aumento na projeção de inflação para 2027 e redução nas estimativas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2026, 2027 e 2028.
Os economistas consultados pelo BC (Banco Central) elevaram de 4,30% para 4,32% a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) no próximo ano. A estimativa para 2026 permaneceu em 5,22%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2028, a projeção recuou de 3,79% para 3,75%.
As expectativas para o PIB caíram de 1,85% para 1,83% em 2026, de 1,4% para 1,32% em 2027 e de 1,83% para 1,81% em 2028.
A projeção para a taxa básica de juros permaneceu em 13,25% ao ano no fim de 2026, com expectativa de dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) previstas para novembro e dezembro. Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano.
No mercado de juros futuros, as taxas operavam perto da estabilidade. Às 15h16, o contrato com vencimento em janeiro de 2028 operava em estabilidade, a 12,920% ao ano. Na ponta longa da curva, a taxa do contrato para janeiro de 2035 avançava 0,03 ponto percentual, para 12,925% ao ano.
No exterior, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, subiam. Os papéis de dez anos rendiam 5,139% ao ano, com alta de 0,06 ponto percentual, enquanto os títulos de 30 anos tinham rendimento de 5,475%, avanço de 0,05 ponto percentual. Esses rendimentos são acompanhados pelos mercados globais porque influenciam o custo de financiamento e a atratividade relativa de investimentos em outros países.
Nos últimos dias, investidores têm reduzido a exposição a ativos ligados à inteligência artificial e buscado oportunidades fora dos Estados Unidos. Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities LLC, o Nasdaq acumulou queda próxima de 5% na última semana, incluindo um recuo de 2,14% na sexta-feira, movimento que reacendeu questionamentos sobre a capacidade de as empresas ligadas à inteligência artificial sustentarem suas valorizações.
A pressão também atingiu o mercado sul-coreano, concentrado em companhias de semicondutores, como Samsung e SK Hynix. “Essa concentração ajuda a explicar a intensidade das oscilações, uma vez que movimentos mais expressivos em poucas companhias podem provocar impactos relevantes sobre o índice”, diz o especialista.
Na avaliação de Castro Alves, a correção recente parece estar mais relacionada a fatores técnicos e ao posicionamento dos investidores do que a uma mudança estrutural nas perspectivas para a inteligência artificial.
Em Wall Street, as Bolsas operam em alta com a recuperação das ações relacionadas à IA. Às 15h18, o Dow Jones, que reúne ações de grandes empresas americanas de diferentes setores, tinha leve alta de 0,12%. O S&P 500, índice mais amplo do mercado acionário dos Estados Unidos, tinha alta de 0,50%, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia e crescimento, subia 1,25%, após as perdas da sexta.
Os investidores também acompanham as expectativas para a próxima reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 82,8% dos investidores apostavam na manutenção dos juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano, enquanto 17,2% esperavam uma elevação da taxa.
A temporada de balanços corporativos também ganha força nesta semana, com resultados de empresas de diferentes setores. Entre os nomes no radar estão Netflix, Meta, Tesla, 3M, Abbott, Philip Morris, Spotify e American Express. Segundo Castro Alves, os resultados das empresas de tecnologia merecem atenção especial após a correção recente.

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Mais de 32,8 mil policiais militares, civis, técnicos e bombeiros militares serão mobilizados pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para atuar no segundo turno das Eleições 2026, neste domingo (25). O esquema especial contará com investimento de R$ 2,6 milhões do Governo do Estado.

O planejamento prevê o emprego de 32.879 profissionais, além do reforço tecnológico para monitorar a votação e apoiar as equipes em todo o território baiano.

A operação contará com mais de 4 mil câmeras de segurança, sistemas de reconhecimento facial e de placas veiculares, além de 11 Plataformas de Observação Elevada (POEs). Os equipamentos serão distribuídos entre Salvador, Região Metropolitana e municípios do interior.

CENTRO DE COMANDO FUNCIONARÁ POR 48H

O Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da SSP será ativado às 7h de sábado (24) e funcionará ininterruptamente até as 7h de segunda-feira (26).

Instalada no Centro de Operações e Inteligência da Secretaria da Segurança Pública, a estrutura reunirá representantes de 31 instituições estaduais, federais e municipais, além de concessionárias de serviços.

A integração busca agilizar a troca de informações e a resposta a eventuais ocorrências durante o segundo turno da eleição presidencial.

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O governador Jerônimo Rodrigues estará no sul da Bahia nesta sexta-feira (23) e no sábado (24), quando participará de mobilizações políticas, respectivamente, em Itabuna e Ilhéus. pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lula (PT). A agenda faz parte da estratégia para ampliar a votação do candidato no segundo turno.

Na sexta-feira (23), Jerônimo participará de uma caminhada em Itabuna, com concentração marcada para as 16h, no Jardim do Ó, e caminhada pela Avenida do Cinquentenário.

No sábado (24), véspera da votação, o governador seguirá para Ilhéus, onde participará de um ato político, ao lado dos senadores eleitos Rui Costa e Jaques Wagner. A mobilização está prevista para as 9h, com concentração em frente à Catedral de São Sebastião, Centro Histórico.

O governador reuniu prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, além de deputados e outras lideranças, para falar de estratégias para ampliar a votação de Lula no sul da Bahia no próximo domingo (25).

METAS

Jerônimo Rodrigues afirmou que trabalha para ampliar o desempenho de Lula nas urnas no segundo turno na Bahia. A votação obtida por Lula na região sul ficou abaixo da média estadual: 66% a 58%. Já no plano estadual, a meta é que Lula tenha mais de 70% dos votos válidos no segundo turno.

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A abstenção de eleitores com mais de 70 anos caiu quase 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições, segundo um levantamento do Movimento Voto 70+, iniciativa apartidária da sociedade civil que defende a participação política dos idosos.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pelo movimento, o percentual de eleitores nessa faixa etária que não foram votar passou de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026.

No eleitorado em geral, a abstenção em 2026 foi de 21,08%, o que significa que 33 milhões de brasileiros aptos deixaram de participar.

O voto é facultativo para eleitores com mais de 70 anos, assim como para os analfabetos e para os jovens com mais de 16 e menos de 18 anos. Na hora de votar, eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas das seções eleitorais.

A redução ocorreu em um cenário de expansão do eleitorado de mais de 70 anos, que passou de 14,9 milhões, em 2022, para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026. O grupo cresce para 36,8 milhões de eleitores se forem considerados também os que têm mais de 60 anos.

Para a idealizadora do Movimento Voto 70+, Cléa Klouri, o aumento do comparecimento representa um avanço importante, porque é um sinal de que o envelhecimento não significa afastamento da vida política.

“Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro”, afirma Cléa.

A pesquisadora Adriana de Queiroz contou que, para entender o que está por trás do não comparecimento nessa faixa etária, o Movimento Voto 70+ conduziu a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral.

O estudo identificou três perfis entre os eleitores 70+ que deixariam de votar ou não tinham certeza se iriam comparecer às eleições de 2026:

*o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença;
*o eleitor que considera que o resultado da eleição já não terá impacto sobre sua vida;
*o eleitor que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar até a zona eleitoral.

“Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção”, afirma Adriana, que é pesquisadora do Data8, centro de pesquisa, tendências, inteligência e inovação sobre a economia da longevidade.

SEGUNDO TURNO

O Movimento Voto 70+ pretende ampliar o debate sobre os obstáculos que dificultam o comparecimento às urnas. Entre eles, estão as limitações de mobilidade, a ausência de redes de apoio e o etarismo.

No segundo turno, o comparecimento dos 70+ continua a contar com um incentivo relevante: o voto pode ser utilizado pelo INSS para a prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais. Em 2026, a medida vale, inclusive, para os que não votaram no primeiro turno.

“VOVÓ VOTA”

No segundo turno, o Movimento Voto 70+ promoverá também a campanha Vovó Vota, que propõe aproximar netas e avós durante as eleições. A iniciativa busca enfrentar barreiras que contribuem para a abstenção feminina, como dificuldades de mobilidade, ausência de redes de apoio e desestímulo familiar.

NotíciasEleições

Em 2022, conforme dados reunidos pelo Data8, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, percentual dez pontos superior ao registrado entre os homens da mesma faixa etária.

Por meio de um guia digital, a campanha reúne orientações práticas para organizar o deslocamento até o local de votação, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras que desejam comparecer às urnas.

 

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A Prefeitura de Itabuna, por meio do Centro de Referência em Prevenção, Assistência e Tratamento (CERPAT) da Secretaria Municipal de Saúde, realizará neste sábado, dia 17, na Praça Adami, das 8 às 13 horas, uma ação de conscientização e combate à sífilis e à sífilis congênita como programação do Dia “D” de Combate à Sífilis.

A mobilização integra a Campanha Outubro Verde, mês de conscientização para prevenção e combate à doença. Durante a ação, a equipe do CERPAT oferecerá testes rápidos para detecção da sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), distribuição de insumos de prevenção e orientações sobre formas de transmissão, prevenção e tratamento das ISTs.

A coordenadora do CERPAT, psicóloga Carlinea Lima, ressalta que os atendimentos serão realizados de maneira confidencial e humanizada, com o objetivo de ampliar o acesso à informação, incentivar o diagnóstico precoce e facilitar o acesso ao tratamento.

Ela também destaca a importância da mobilização para aproximar os serviços de saúde da população e reforçar os cuidados com a saúde sexual.

“Nosso objetivo é conscientizar a população sobre a importância da prevenção, da testagem e do tratamento oportuno da sífilis e de outras infecções sexualmente transmissíveis. É fundamental que as pessoas tenham acesso à informação e aos serviços de saúde com acolhimento, respeito e sigilo”, ressalta.
Ela ainda completa que “a campanha Outubro Verde também chama a atenção para a prevenção da sífilis congênita, que é transmitida da gestante para o bebê durante a gravidez ou no parto. O diagnóstico e o tratamento adequados durante o pré-natal são fundamentais para prevenir a transmissão e reduzir complicações para a mãe e a criança”, finaliza.

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Ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), presidente da Terceira Turma da Corte e professora de Direito da Rede UniFTC/Unex, Daniela Teixeira vai proferir aula magna na Unex Itabuna, na próxima sexta-feira (16), às 19h. NA aula vai discorrer sobre o tema Direitos em tempos de mídias digitais: Nem tudo é o que parece ser.

O encontro propõe uma discussão sobre os impactos das mídias digitais e da circulação de informações no ambiente virtual sobre o Direito e a atuação dos profissionais da área. A programação reunirá estudantes, professores, representantes da comunidade acadêmica e convidados no Campus I da Unex Itabuna.

TRANSFORMAÇÕES NO MUNDO DO DIREITO

Para o diretor da Unex Itabuna, André Portnoi, a presença da ministra amplia o contato dos estudantes com questões que ultrapassam a dimensão teórica da formação jurídica. “A presença de uma ministra do STJ no corpo docente da Unex aproxima os estudantes de questões concretas enfrentadas pelo Judiciário e pela advocacia”, afirma.

Para Portnoi, “esse contato amplia o repertório acadêmico e permite compreender, a partir da experiência de quem atua diretamente no sistema de Justiça, transformações que já estão impactando o exercício do Direito”.

A aula magna, reforça Portnoi, também aproxima a formação acadêmica de um debate cada vez mais presente na sociedade: os efeitos das novas formas de produção, circulação e interpretação das informações sobre as relações sociais, profissionais e jurídicas.

A iniciativa integra as ações da Unex voltadas à aproximação entre formação universitária e prática profissional, promovendo o contato dos estudantes com especialistas que atuam diretamente em temas relevantes para o cenário jurídico contemporâneo.

PERFIL

Ministra do STJ desde novembro de 2023, Daniela Teixeira assumiu, em abril deste ano, a presidência da Terceira Turma do tribunal, colegiado especializado em Direito Privado. Antes de ingressar na magistratura, atuou por mais de 27 anos na advocacia e integrou o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

SERVIÇO
Aula Magna – Direito em tempos de mídias digitais: “Nem tudo é o que parece ser”
Palestrante: Daniela Teixeira, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), presidente da Terceira Turma do STJ e professora da Rede UniFTC/Unex
Quando: 16 de outubro, às 19h
Onde: Auditório do Campus I da Unex Itabuna

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De janeiro a agosto deste ano, o turismo baiano cresceu 7,4%, em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi o melhor entre os estados. Superou o Rio de Janeiro, onde houve aumento de 5,3%; Rio Grande do Sul, com 4,3%; e Espírito Santo, que chegou a 3,3%. No Brasil, o índice foi negativo (-0,8%).

No recorte do mês de agosto deste ano, o turismo baiano registrou um aumento de 10,4%, também o melhor resultado entre os estados. Naquele mês o país teve crescimento de 0,9%, no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados do IBGE comprovam o crescimento contínuo do turismo na Bahia, acima da média nacional, desde 2023, quando o estado registrou índice positivo de 11,4%. Naquele ano o Brasil alcançou 7% de aumento no setor. Em 2024, o turismo baiano cresceu 8,4%, enquanto o país ficou em 3,6%. No ano seguinte, houve aumento de 6,6% no estado, novamente ultrapassando o índice nacional, que foi de 4,6%.

Um levantamento feito pela Fecomércio São Paulo mostrou que o turismo baiano também registrou o maior crescimento percentual, entre os estados com faturamento mais expressivo do setor, em julho deste ano. As atividades turísticas na Bahia movimentaram R$ 759 milhões no mês, uma alta de 18,7%, em relação a julho de 2025. No Brasil, o aumento ficou em 2,4%.

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A Prefeitura de Itabuna, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU), deu mais um passo na ampliação do cuidado à saúde infantil. Na tarde de quarta-feira, dia 14, no seu auditório, foi realizado o lançamento do Protocolo Municipal de Monitoramento Contínuo da Glicose que estabelece critérios para o fornecimento gratuito do sensor FreeStyle Libre 2 Plus para crianças de 2 a 12 anos diagnosticadas com diabetes mellitus tipo 1.
Essa iniciativa representa um avanço importante na assistência às crianças com diabetes, ao incorporar uma tecnologia que permite o acompanhamento contínuo dos níveis de glicose, reduzindo a necessidade de frequentes punções na ponta dos dedos e proporcionando mais praticidade e segurança no controle da doença.

O evento contou com a presença da subsecretária municipal de Saúde, Lânia Peixoto, do coordenador da Divisão de Assistência Farmacêutica, Wanderlei Machado Júnior, além de profissionais de saúde, pais e responsáveis pelas crianças contempladas.
No encontro, foram apresentadas orientações sobre o funcionamento dos dispositivos, os critérios de acesso e as etapas de implantação do Protocolo. A programação também incluiu a aplicação dos sensores nas crianças previamente identificadas por meio de busca ativa realizada pela Secretaria Municipal de Saúde.

MAIS SEGURANÇA E QUALIDADE DE VIDA

O Libre 2 Plus é um dispositivo aplicado na parte posterior do braço da criança que permite acompanhar continuamente os níveis de glicose, auxiliando na identificação de episódios de hipoglicemia e hiperglicemia.
A tecnologia também possibilita o compartilhamento remoto das informações por pais e responsáveis, por meio de dispositivos compatíveis, oferecendo mais tranquilidade às famílias.

A subsecretária municipal de Saúde, Lânia Peixoto, ressaltou que a iniciativa reforça o compromisso da gestão do prefeito Augusto Castro (PSD) com a ampliação do acesso à saúde e melhoria da assistência às crianças.

“Essa iniciativa representa um avanço na assistência às crianças com diabetes tipo 1. Estamos trabalhando para garantir mais qualidade de vida aos pacientes e mais segurança aos pais e responsáveis, fortalecendo o compromisso da gestão municipal com uma saúde cada vez mais humanizada”, afirmou.
Para o coordenador da Divisão de Assistência Farmacêutica, Wanderlei Machado Júnior, a implantação do Protocolo representa um avanço importante na assistência às crianças com diabetes tipo 1.

“Essa tecnologia vai muito além da redução das picadas nos dedos. Ela proporciona mais segurança no acompanhamento da glicemia, facilita a rotina das famílias e contribui para melhorar a qualidade de vida das crianças. É um avanço significativo no cuidado oferecido pela rede municipal de saúde”, destacou.

COMO TER ACESSO

A Secretaria Municipal de Saúde orienta pais ou responsáveis por crianças da faixa etária prioritária com diagnóstico de diabetes tipo 1 que ainda não tenham sido identificadas pela busca ativa a procurarem o Centro de Referência em Diabetes e Hipertensão (Hiperdia), na USF do Bairro Zildolândia ou a Farmácia Pública Municipal de Itabuna, na Rua Ruffo Galvão, nº 166, Centro.
Nesses dois locais, as famílias poderão receber orientações sobre critérios estabelecidos no Protocolo Municipal e os procedimentos necessários para acesso ao dispositivo.

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Numa decisão histórica, o plenário do Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira (14), em votação em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1 de trabalho, aquela em que o empregado trabalha seis dias por um de folga na semana.

Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos.

O quórum exigido para uma emenda constitucional era de pelo menos 49 votos favoráveis. O número de parlamentares com presença registrada em plenário chegou a 77 dos 81 senadores, segundo o painel de votação.

O texto prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.

A mudança representa um marco na luta por direitos trabalhistas desde a Constituição de 1988, quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas semanais, e concede um dia a mais de descanso para que trabalhadores com carteira assinada possam descansar, ampliar o convívio com a família e ter mais tempo de lazer e estudos.

Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para o máximo de 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.

MAIOR CONQUISTA DOS TRABALHADORES

“Eu tenho certeza que, desde a Constituinte de 1988, esta é a maior conquista dos trabalhadores brasileiros”, afirmou o senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria na Casa legislativa.

Ele manteve o mesmo texto aprovado pelos deputados há cinco meses, de forma que a proposta não precisará retornar à Câmara e poderá seguir diretamente para a promulgação.

A votação em primeiro e segundo turnos na mesma noite foi possível após a aprovação, em votação simbólica, de um requerimento de calendário especial, feito por líderes partidários, que dispensou a exigência de novas sessões deliberativas para análise da proposta.

Aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC chegou em agosto ao Senado, onde passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e foi levada à discussão em plenário na semana passada, após compromisso firmado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

DEBATE EM PLENÁRIO

A sessão deliberativa começou pouco depois das 14h e se estendeu até por volta das 22h, quando o resultado da votação foi revelado. Praticamente todos os senadores que subiram à tribuna se declararam favoráveis à proposta, mesmo com críticas pontuais.

“Estamos escrevendo este capítulo ao lado de cada trabalhador que acorda antes do sol nascer, de cada mãe e cada pai que querem acompanhar o crescimento de seus filhos, de quem deseja estudar, cuidar da saúde, encontrar os amigos, estar com a família ou descansar”, afirmou a senadora Tereza Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado.

“A jornada de 44 horas semanais vigora desde a Constituição de 1988 e não reflete mais a realidade do mundo do trabalho, profundamente transformado pela tecnologia, pela automação, por novas normas e formas de organização produtiva”, comentou o senador Eduardo Braga (MDB-AM).

Citando dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a senadora Leany Lemos (PSD-DF) destacou que 36,2 milhões de vínculos de trabalho com carteira assinada possuem jornada contratada superior a 40 horas semanais no Brasil, o que equivale a praticamente 80% dos vínculos celetistas analisados.

“Ou seja, somente 20% dos trabalhadores formalizados no país não trabalham na jornada 6×1. Esses dados permitem dimensionar o alcance da redução da jornada e identificar os setores mais afetados”, pontuou.

Em seu pronunciamento em plenário, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que não tinha como conter a emoção.

“Quando eu olho para trás, para 30, 40, 50 anos, eu me sinto aqui, agora, um menino negro e pobre que esperou 50 anos para este momento acontecer. Quem operou, trabalhou, em fundições, em fábricas, em marcenarias, em fábricas de barro e de vasos, como eu e tantos trabalhadores, sabe que este momento é especial”, afirmou.

Mesmo favorável à PEC, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) alertou sobre os riscos de a medida aumentar o custo do trabalho e causar impactos a micro e pequenas empresas, que contratam boa parte da força de trabalho que atua na escala 6×1.

“Não podemos permitir que essa conquista se torne, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger”, observou. Apesar de, ao longo do debate ter sido contrário à proposta, o Partido Liberal (PL) liberou a bancada para a votação.

AUMENTO DE PRODUTIVIDADE

Empresário, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) informou já ter eliminado a escala 6×1 em suas empresas, o que ampliou a oferta de mão-de-obra e aumento da produtividade.

“A única maneira que nós encontramos de resolver a falta de mão-de-obra, que há muitos anos assola esse país, não é de agora, foi flexibilizar o fim dessa jornada, que nas nossas empresas acontece há mais de 5 anos”, disse o parlamentar.

EX-VICE-PRESIDENTE, MOURÃO VOTOU CONTRA

Ex-vice-presidente da República no mandato de Jair Bolsonaro, o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra a proposta.

Durante discurso na tribuna do Senado, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, criticou a ausência dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) na sessão destinada à votação da proposta.

“Eu olho para o painel do Senado e ainda não vejo a presença do senador Flávio Bolsonaro, nem do coordenador de campanha dele, o senador Rogério Marinho. Eles haviam dito primeiro que eram contra [o projeto]. Diziam eles que era eleitoreiro, mas mudaram de posição”, afirmou.

Flávio cumpriu agenda de campanha no Rio Grande do Sul ao longo do dia, mas registrou a presença em plenário para votar a matéria de forma remota. No painel de votação, Flávio Bolsonaro registrou voto favorável à PEC. Marinho não registrou presença na votação, constando como ausente.

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Com o acordo Mercosul-União Europeia assinado, o bloco sul-americano já pode voltar as atenções para a próxima parceria comercial mais relevante em termos de volume: a China.
Para executivos com operações ou interesses na região, o desenho de um eventual acordo formal —ainda que preliminar— sinaliza uma janela de reposicionamento competitivo para exportadores brasileiros, sobretudo do agronegócio, em meio à escalada tarifária dos Estados Unidos.
O tema ganhou tração após uma conversa entre Lula (PT) e Xi Jinping no fim de julho. Segundo o Planalto, os dois líderes trataram da necessidade de acelerar o início das negociações entre o Mercosul e a China e concordaram sobre a importância de avançar com “as flexibilidades necessárias”.
Uma sinalização política nesse sentido precede qualquer cronograma formal de negociação, mas já reposiciona o tema na agenda corporativa de quem opera comércio exterior com a região.
O momento não é casual. O diálogo ocorreu logo após a entrada em vigor de uma nova tarifa dos Estados Unidos sobre o Brasil, com alíquota adicional de 25% sobre cerca de 3.000 produtos —decisão amparada em investigação da Seção 301 do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) sobre práticas comerciais consideradas injustas.
Para times de governança corporativa e de cadeias de suprimentos, esse é o tipo de choque tarifário que acelera a busca por rotas comerciais alternativas.
No fim de 2025, Pequim já havia sinalizado a direção: um documento oficial apontou o objetivo de ampliar a cooperação econômica com a América Latina para além do comércio, incluindo investimentos, ciência e tecnologia, além de frazer frente às ações unilaterais dos Estados Unidos —um recado direto a quem monitora risco geopolítico em carteiras de investimento na região.
Os números explicam por que o tema é prioridade estratégica, não apenas diplomática. No ano passado, a China respondeu por aproximadamente 28% do comércio exterior do Mercosul, ante cerca de 17% da União Europeia, seguida pelos Estados Unidos.
No mesmo ano, os países do bloco exportaram, em conjunto, US$ 111,5 bilhões e importaram US$ 96,4 bilhões —com o Brasil concentrando quase 90% das exportações e 74% das importações do bloco.
Ou seja: qualquer formalização do acordo não cria uma relação comercial —ela institucionaliza uma que já é a mais relevante do bloco, com potencial de redesenhar margens, tarifas e barreiras não alfandegárias para quem já opera nesse eixo comercial.
VELOCIDADE: POR QUE ESTE ACORDO PODE SER DIFERENTE
Um ponto de atenção para quem planeja horizonte de investimento: analistas apontam que um eventual acordo com a China tenderia a avançar mais rápido do que o modelo europeu.
O acordo com a União Europeia, assinado em janeiro, levou mais de 25 anos para ser fechado —resultado de negociar com um bloco de múltiplos países com interesses divergentes. Com a China, o interlocutor é único.
“A China não publiciza, ela tem uma outra forma de negociar e de fazer política externa. Um acordo formal reduziria as tarifas aduaneiras e barreiras não tarifárias, como restrições fitosanitárias, então tornaria os nossos produtos ainda mais competitivos”, explica Regiane Nitsch Bressan, professora associada do curso de relações internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Para quem avalia expansão de capacidade produtiva ou logística na região, a professora aponta um vetor concreto de oportunidade: a presença crescente de capital chinês, que já não se limita ao agronegócio, alcançando energia, mineração e telecomunicações.
Segundo ela, “o marco regulatório mais robusto pode facilitar a entrada de investimentos a longo prazo e destravar financiamentos em portos, ferrovias e rodovias, reduzindo muitos gargalos logísticos na América do Sul” —um ponto direto para investidores em infraestrutura e logística.
Oscar Fernández-Guillén, professor da UNS (Universidad Nacional del Sur) e da UNLP (Universidad Nacional de La Plata), na Argentina, reforça a leitura. “A integração econômica do bloco precisa de maior conectividade física e de maior infraestrutura e para isso pode contar com um parceiro como a China.”
ASSIMETRIAS INTERNAS: O RISCO DE EXECUÇÃO
Para quem estrutura operações multipaís no Mercosul, um fator relevante é a assimetria de maturidade nas relações bilaterais com a China dentro do próprio bloco. Brasil e Argentina já mantêm um nível mais alto de relação bilateral, enquanto o Uruguai possui um nível mais básico de associação.
O Paraguai, por outro lado, não tem nenhum acordo formal com Pequim, em razão do reconhecimento de Taiwan —uma variável que pode condicionar cláusulas específicas ou prazos diferenciados por país num eventual acordo em bloco.
Essa questão é considerada crucial, já que o Mercosul negocia por consenso entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, cada um com poder de veto sobre novas negociações externas.
A Venezuela integra formalmente o bloco, mas está suspensa desde 2017, e a Bolívia segue em processo de integração.
ACORDO AMPLO OU PACOTE SETORIAL?
Para tomadores de decisão que buscam calibrar expectativas de prazo, vale a leitura mais cautelosa de especialistas consultados.
Luiz Augusto de Castro Neves, presidente do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China) e ex-embaixador do Brasil na China, avalia que “a possibilidade de um acordo de livre comércio com a China é algo que vem sendo falado no âmbito do governo brasileiro, conforme o comércio com a China se mostrou tão bem-sucedido, sobretudo para a parte brasileira.”
Neves pondera que a tensão com os EUA favorece o movimento, mas não deve ser o fator decisivo, e reconhece possível resistência da indústria nacional —ainda que, segundo ele, “a decisão, que normalmente é política, se baseia no fato de que o acordo traz mais ganhos do que perdas.”
Gustavo Rojas, pesquisador do Cadep (Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia), recomenda moderar as expectativas de curto prazo.
“Provavelmente, o diálogo de Lula e Xi não sinaliza um acordo de livre comércio, mas algo mais modesto, como um acordo parcial abrangendo um número limitado de linhas tarifárias, ou um pacote de facilitação comercial, como para normas sanitárias e barreiras não tarifárias.”
Ignacio Bartesaghi, diretor do Instituto de Negócios Internacionais da Universidade Católica do Uruguai, acrescenta uma variável de incentivo: o Brasil pode não ter pressa.
Em suas palavras, “o Mercosul tem bilhões de dólares em superávit, atrai investimentos e tem relações geopolíticas e geoeconômicas estratégicas com a China no âmbito do Brics. Além disso, o Brasil já conta com significativos investimentos estratégicos futuros da China em projetos de infraestrutura, particularmente no que diz respeito aos corredores bioceânicos”.
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O QUE FICA NO RADAR
Para executivos de comércio exterior, investimento e estratégia regional, três pontos merecem monitoramento próximo:
 

Velocidade regulatória
Um acordo com interlocutor único (China) tende a avançar mais rápido que o modelo europeu, mas ainda sem cronograma formal definido.
 

Infraestrutura como vetor de entrada
Portos, ferrovias, rodovias e corredores biooceânicos aparecem como as frentes mais citadas por especialistas para captação de investimento chinês, com ou sem acordo formal
 

Assimetria intrabloco
O veto de qualquer um dos quatro fundadores, somado a posições distintas de Paraguai e Uruguai frente à China, é o principal risco de execução a acompanhar
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BRASIL
O país deve manter política externa pragmática diante dos Estados Unidos, buscando autonomia sem agravar a relação bilateral, especialmente no período eleitoral. O acordo com a União Europeia foi acelerado pelo temor europeu de perder influência para a China e para os Brics, mas persistem resistências internas, sobretudo da França.
O momento eleitoral leva o governo a adiar avanços concretos com a China. No Brics, o Brasil defende critérios institucionais para novos membros e busca reduzir a dependência do dólar.
“Essa negociação com a China poderia acontecer no momento após as eleições e aí vai depender muito de quem estiver na Presidência, de tentar também trazer a Argentina para a conversa. Milei foi contra o Mercosul, dizia que não ia participar, e foi convencido, comemorou a ratificação do acordo com a União Europeia”, diz Bressan.
“O Itamaraty tem linhas muito consolidadas. Portanto, mesmo que tenhamos uma troca governamental neste ano, pode existir um distanciamento entre o Itamaraty e o futuro governo, mas isso não deve impedir a China de estar presente.”
 

ARGENTINA
A relação do governo de Javier Milei com a China é descrita como mais retórica do que efetiva: apesar do discurso de campanha contrário a Pequim, o comércio bilateral foi mantido e ampliado. Milei, que chegou à Casa Rosada criticando os asiáticos, aumentou o comércio com o país, e as importações de produtos chineses em 2025 foram as maiores dos últimos 25 anos.
A não adesão da Argentina ao convite para integrar o Brics é atribuída a razões político-ideológicas, pela prioridade dada às relações com os Estados Unidos e com Israel.
“Há muita retórica envolvida. Durante a campanha eleitoral, Milei criticou duramente as relações com a China e, depois de eleito, ficou claro que as relações seriam mantidas com base no comércio”, diz Fernández-Guillén.
 

PARAGUAI
O reconhecimento de Taiwan pelo Paraguai complica as negociações, embora o país esteja disposto a dialogar; Pequim exige o rompimento com Taipé como condição.
Setores como petróleo, soja, milho e carnes se beneficiariam de um acordo, tendo as exportações aumentado 23% no primeiro semestre de 2026, enquanto indústrias como automotiva, eletrônica e têxtil poderiam ser prejudicadas.
“Ninguém vai abrir mão do mercado chinês por afinidade ideológica. A verdadeira luta interna dentro do Mercosul não é a China, mas a tensão entre a unidade nas negociações e a flexibilidade”, diz Rojas.
Ele acrescenta que a soja e a carne bovina paraguaias atualmente não têm acesso ao mercado chinês, mas que a política do país é pragmática. “O Ministério das Relações Exteriores afirma explicitamente que não se recusa a negociar, desde que não haja pré-condições, e que o problema está do outro lado da mesa, já que Pequim impõe condições e exige publicamente que Assunção rompa com Taipé.”
 

URUGUAI
Caso o Brasil não tentasse acelerar um acordo com a China, por estar confortável com sua situação comercial atual, o Uruguai seria o único membro do bloco em posição de avançar efetivamente nessa direção.
“Historicamente, o Uruguai tem buscado maior flexibilidade dentro do Mercosul, entre outros motivos, porque durante décadas o bloco deu as costas ao comércio internacional. Os acordos com a União Europeia, com a Efta [bloco com Suíça e Noruega] e as conversas com o Canadá também estão avançando”, diz Bartesaghi.
Ainda no governo anterior, o país sinalizou o interesse de negociar em separado com os chineses, mas o governo de Yamandú Orsi deve fortalecer a integração via Mercosul.
“Não acredito que a abertura do Mercosul para a região Ásia-Pacífico seja materialmente viável dentro do prazo necessário para o Uruguai. É por isso que o país está interessado na CPTPP (Parceria Transpacífica).”

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Medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, utilizados principalmente no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, começaram a despertar o interesse de pesquisadores e médicos por um possível efeito no controle do consumo de álcool e outras drogas. Estudos recentes apontam resultados promissores, mas especialistas alertam que ainda são necessárias novas pesquisas para confirmar a eficácia e a segurança desses medicamentos no tratamento de dependências.

Substâncias como a semaglutida e a tirzepatida atuam em mecanismos hormonais relacionados à saciedade e ao controle da glicose. Agora, cientistas investigam se os mesmos medicamentos também podem influenciar os circuitos cerebrais associados à recompensa e ao desejo de consumir substâncias.

Segundo o jornal O Globo, uma pesquisa publicada no British Medical Journal (BMJ), que analisou dados de cerca de 600 mil veteranos das Forças Armadas dos Estados Unidos com diabetes tipo 2, identificou uma associação entre o uso de medicamentos dessa classe e um menor risco de desenvolver transtornos relacionados ao consumo de álcool, cocaína, nicotina e opioides.

Outro estudo, publicado em 2024, avaliou o uso da semaglutida em pessoas com transtorno por uso de álcool de moderado a grave. Durante 26 semanas, os participantes receberam o medicamento ou um placebo. No grupo tratado com semaglutida, os dias de consumo excessivo de álcool tiveram redução de 41%, ante 26% entre aqueles que receberam o placebo.

Os resultados têm estimulado o interesse da comunidade científica. Em uma reunião promovida no âmbito de um programa de formação para jornalistas de saúde da Universidade Harvard, Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos Estados Unidos (NIDA), classificou as evidências como promissoras. Uma das hipóteses é que os medicamentos possam atuar sobre mecanismos cerebrais relacionados ao desejo e à recompensa, reduzindo também o impulso pelo consumo de álcool.

A indústria farmacêutica Eli Lilly, responsável pela tirzepatida, também investe em pesquisas para investigar essa possibilidade. A empresa conduz estudos com a brenipatida, uma molécula experimental da mesma classe, para avaliar seu potencial no tratamento do transtorno por uso de álcool. Os resultados são esperados para 2028.

Apesar dos resultados iniciais, os medicamentos ainda não têm aprovação específica para o tratamento de transtornos relacionados ao consumo de álcool ou de outras drogas. Mesmo assim, alguns médicos já relatam utilizar essas substâncias em situações selecionadas, por meio do chamado uso off-label, quando um medicamento é prescrito para uma finalidade diferente daquela prevista em bula.

O psiquiatra Dartiu Xavier, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), relatou ao jornal O Globo que já recorreu a esses medicamentos em casos de dependência de álcool, uso de cocaína e comportamento sexual compulsivo. Segundo ele, a indicação deve considerar o diagnóstico e o histórico de cada paciente, especialmente quando os tratamentos convencionais não apresentam os resultados esperados.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor aposentado da Unifesp e ex-coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, também relatou experiências com o uso dessas substâncias em pacientes com problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas, especialmente após cirurgias bariátricas.

Apesar de considerar a abordagem promissora, Laranjeira pondera que ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma conclusão definitiva sobre a eficácia do tratamento.

A psiquiatra Analice Gigliotti, diretora clínica do Espaço Clif e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), destaca que existem medicamentos já utilizados há anos para auxiliar no controle da dependência de álcool. Para ela, as canetas emagrecedoras podem representar uma alternativa em casos específicos, mas os dados disponíveis ainda não demonstram que sejam capazes de levar os pacientes à abstinência.

A especialista avalia que estudos rigorosos, com grupos de controle e distribuição aleatória dos participantes, serão fundamentais para determinar a eficácia e a segurança da estratégia. A possível relação entre os medicamentos à base de GLP-1 e o controle de comportamentos compulsivos também é investigada por pesquisadores internacionais. Anna Lembke, especialista em dependência da Universidade Stanford e autora do livro Nação dopamina, afirma que o mecanismo de ação ainda não.o está completamente esclarecido.

Uma das hipóteses é que essas substâncias reduzam a liberação de dopamina em circuitos cerebrais relacionados à recompensa, diminuindo a resposta a estímulos que despertam o desejo de consumir álcool ou outras substâncias. Apesar do interesse crescente, os especialistas ressaltam que os resultados iniciais não significam que as canetas emagrecedoras possam substituir os tratamentos já estabelecidos para dependência química.

Até que novas pesquisas confirmem os benefícios e esclareçam os riscos, o uso para essa finalidade deve ser avaliado individualmente por profissionais de saúde.

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