O crescente número de pessoas em situação de rua nas praças e vias públicas de Itabuna foi debatido durante encontro entre as Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza (SEMPS) e de Segurança e Ordem Pública na quarta-feira, dia 19. Como resultado se definiu pela criação de um Plano de Ação que reforce o encaminhamento dos moradores ao vínculo familiar e à reinserção na sociedade.
“Um dos exemplos do excesso de pessoas em vulnerabilidade social é o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (POP). A legislação prevê que mensalmente a unidade atenda 80 pessoas. Mas, em Itabuna, esse número é registrado a cada dia” afirmou a diretora da Média Complexidade, Maria D’Ajuda Cavalcanti Lucas.
De acordo com ela, algumas pessoas chegam sem dinheiro nos guichês da Rodoviária pedindo apoio para voltar para casa e acabam sendo encaminhadas para o Centro POP, o que superlota a unidade.
O mesmo acontece no Hospital de Base Luís Eduardo onde, após receber alta e não ter como retornar para o município de origem, a pessoa também segue para o Centro POP onde recebe alimentação e passagem.
“É uma situação muito complexa para nós da Promoção Social. A cada dia surgem mais pessoas com problemas mentais e, em algumas situações, a família não tem como controlar e terminam indo para as ruas. O Centro POP acolhe, oferece atendimento em um trabalho com a Secretaria Municipal de Saúde”, pontuou Maria D’Ajuda.
O secretário de Segurança e Ordem Pública, Roberto José da Silva, defendeu o Plano de Ação para o encaminhamento adequado das pessoas em situação de rua, uma tarefa que exige a participação articulada das demais secretarias municipais, como a Secretaria Municipal de Saúde, por causa dos transtornos mentais e uso de drogas por essas pessoas.
Ele afirmou que o enfrentamento também precisa envolver SESOP, Polícia Militar, ONGs que entregam alimentos, ACI e CDL e outras instituições. “É uma ação intersetorial. Por isso, vamos montar um Plano de Ação que mitigue essas questões”, acrescentou.
Como exemplo, o secretário disse que é preciso identificar quem perdeu vínculo familiar, quem usa drogas, quem oferece risco, mapeamento de bocas de fumo, tráfico de drogas e receptadores de objetos furtados, um problema que considera gravíssimo. Há ainda o fato do fechamento do Centro POP de Ilhéus e a migração de pessoas para Itabuna, inclusive de outros municípios.
Participaram do encontro a coordenadora do Centro POP, Andreia Nogueira, da Diretora Jurídica da Divisão de Conformidade Jurídico Social da SEMPS, Larissa Moitinho, do comandante da 3ª Companhia de Policiamento da Polícia Militar, responsável pela segurança do Centro Comercial, Gesse Cerqueira, e subcomandante da Guarda Civil Municipal, Valdir Santos, coordenador da Abordagem Social, Ernandi Lins, Capitão PM Cerqueira e um representante dos feirantes.
“Já identificamos que parte da população de rua vem de outras cidades, o que sobrecarrega nosso sistema social. Existem também as instituições que entregam alimentos às pessoas em situação de rua, as mantém. Por isso, vamos sugerir que haja um calendário para a entrega de alimentos ou até mudança de ambiente para essas ações, o que talvez reduza a concentração no entorno daquele centro de compras”, comentou o comandante da Cia PM.


