A Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) contratou a Infras Engenharia para elaborar estudos e projetos que incluem a recuperação das praias de São Miguel e São Domingos, atingidas pela erosão marinha na zona norte de Ilhéus. A proposta é estudar a recomposição da faixa de areia, uma das medidas previstas para enfrentar o avanço do mar sobre os dois bairros.
O contrato tem valor global de R$ 2.845.311,01 e foi assinado em 21 de outubro, com extrato publicado no Diário Oficial da União (DOU) de segunda-feira (26). O investimento abrange o conjunto dos serviços técnicos contratados, incluindo as intervenções portuárias.
Além do engordamento das praias, o escopo contempla projetos para aprofundar o canal do Porto de Ilhéus, aterrar a retroárea do terminal e implantar balizamento e sinalização náutica. A contratação é voltada a levantamentos, estudos e projetos básicos, conforme o objeto divulgado pela própria Codeba.
O PIMENTA já havia noticiado, em março, a escolha da Infras como vencedora da Licitação nº 90005/2025. A assinatura formaliza agora a contratação da empresa.
RISCO ÀS COMUNIDADES
A perda de território para o mar é uma ameaça antiga aos moradores. Ao PIMENTA, o oceanógrafo Lucio Figueiredo de Rezende, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), advertiu que São Miguel poderia desaparecer sem medidas de contenção.
O pesquisador explicou que o espigão do Porto do Malhado retém areia que antes ajudava a alimentar as praias do norte. Essa alteração favoreceu o acúmulo de sedimentos na Praia da Avenida e agravou a erosão em São Miguel.
“É inconcebível perder ruas inteiras com o avanço do mar”, afirmou, na entrevista de março de 2021. Rezende defendeu a estabilização da linha de costa e medidas de longo prazo sobre o transporte de sedimentos. Também apontou a necessidade de análises laboratoriais para verificar contaminação por metais pesados antes de avaliar o reaproveitamento de material dragado nas praias.
